segunda-feira, 12 de março de 2012

HISTÓRIA DE GARARU

Há mais de cem anos a cidade de Gararu era conhecida por Curral de Pedras, nome dado graças à grande quantidade de cercas construídas com pedras colocadas umas sobre as outras, seguramente arrumadas formando currais que eram utilizados pelos fazendeiros locais para prender seus rebanhos.

O povoamento dessa localidade teve início no século XVII. Há duas versões a cerca do início da povoação de Gararu: a primeira, contada inclusive por Francisco S. de Carvalho Júnior, no livro “História dos Limites de Sergipe e Bahia”, no qual afirma que Tomé da Rocha Malheiros foi um dos primeiros proprietários de terras da região, obtendo uma sesmaria de dez léguas, no início do século XVII. Essa sesmaria iniciava na Serra da Tabanga e seguia o Rio São Francisco na direção oeste. A segunda interpretação menciona os colonos portugueses como sendo os primeiros habitantes dessas terras, que fugindo do domínio holandês em Sergipe, vieram refugiar-se na Serra da Tabanga, onde deram início ao povoamento da região, em março de 1637.

Mais tarde, com a expulsão dos holandeses os portugueses abandonaram as terras que voltaram a ser ocupadas por índios. Uma tribo chefiada pelo cacique Gararu fixou-se no local onde há confluência do riacho Gararu com o Rio São Francisco. Esses índios foram catequizados pelos Padres Jesuítas, possivelmente da missão de São Pedro (fundada no século XVIII). Mais tarde, medidas tomadas pelo Marquês de Pombal motivaram a expulsão dos jesuítas, tendo como conseqüência o abandono das terras pelos indígenas.

Em seguida a região foi ocupada por sitiantes do território de Porto da Folha. Estes construíram aqui uma capela em louvor a “Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos”. A partir daí a povoação tornou-se fixa, passando a ser denominada de Curral de Pedras.

Em 10 de abril de 1875 a capela do Senhor Bom Jesus dos Aflitos do Povoado Curral de Pedras foi elevada à categoria de matriz através da Resolução Nº. 1.003, que também criou a freguesia desta, desmembrando-a da Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro, comunidade que integra o município de Porto da Folha. Com essa Resolução a divisão da nova freguesia ficou da seguinte forma:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho – Aningas de Baixo – rumo direito do – Atalho -, deste à Lagôa da Vaca, deste à travessa em casa de Antonio Pernambuco, e seguindo em direitura à cabeceira da Pedra, seguirá, por elle até o riacho – Gararu -, por elle acima à foz do riacho – Sovela -, deste às suas cabeceiras, dahi rumo direito às cabeceiras da – Gruta -, onde se acha collocado o tanque da fasenda – Riacho Grande -, e respeitando sempre as divisões da parechia de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do – Bonito – para a fasenda – Guixaba -, por ella seguirá para a fasenda – Lagoa -, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio “Sergipe”, por elle acima às suas cabeceiras frontais às fasendas “Contenda” e “Monte-Santo”, dahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a passagem da fasenda “Monte-Santo”, no tanque da mesma fasenda rumo direito à fasenda “Capivara” na margem esquerda do riacho do mesmo nome, e entrando nelle descerá até a altura das cabeceiras do riacho “Porteiras”, e por elle abaixo encontrará o ponto donde partio a presente divisão. (Res. 1.003/75, Art. 2º).

A divisão da freguesia de Curral de Pedras só foi estabelecida um ano depois com a Portaria Nº. 1.038, datada de 28 de março de 1876:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho na foz da Logoa Escurial, rumo direito ao Atalho, desde a lagoa da Vaca, comprehendendo esta; d’ahi à travessia, em casa de Antonio Pernambuco, ficando esta para a nova freguezia; e seguindo em direitura à cabeceira do riacho da Pedra, seguirá por elle até o riacho Gararu, por este abaixo à foz do Riacho Sovela, até as suas cabeceiras; d’ahi rumo direito às cabeceiras da Gruta, onde se acha collocado o tanque da fazenda Riacho Grande; e d’ahi, respeitando as divisões de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do Bonito, para a fazenda Quixaba: por ella seguirá a fazenda Lagoa, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, por este acima às suas cabeceiras fronteiras às fazendas Contenda e Monte-Santo, compreendidas estas; d’ahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até altura das cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a altura das cabeceiras do riacho Porteiras, e por elle abaixo irá à margem do rio S. Francisco, a encontrar o ponto d’onde partiu. (Res. 1.038/76, Art. 1º).

Formação Administrativa

De acordo com o IBGE, o distrito de Gararu (então Curral de Pedras) foi criado pela Resolução Provincial Nº. 1.003, de 16 de abril de 1875.

O Povoado Curral de Pedras foi elevado à categoria de vila e teve os seus limites marcados com a Resolução Nº. 1.047, de 15 de março de 1877. Com essa Resolução também ficou criado o município de Gararu, desmembrado do território de Ilha do Ouro, mais tarde Porto da Folha. De acordo com o parágrafo único do artigo primeiro da referida Resolução “os limites do município serão os mesmos da freguesia do Senhor dos Afflitos do Curral de Pedras”.

A Mudança do Nome

Com relação à mudança do nome da Vila, consta na Coleção de Leis e Resoluções promulgadas pela Assembléia Legislativa em 1888, a denominação de “Villa do Gararu” nos seguintes termos: “Fica d’ora em diante com a denominação de Vila do Gararú a Curral de Pedras nesta província.” (Res. Nº. 1.327 de 18/04/1888, art.1º). Segundo as pessoas mais velhas da cidade, bem como alguns poucos escritos, a mudança do nome da Vila Curral de Pedras foi motivada pelo desejo de fazer uma homenagem ao cacique da tribo que habitou essa localidade no passado, um bravo guerreiro defensor do seu povo. Há fontes bibliográficas como a Revista Sergipe Panorâmico (2001), em que consta que a modificação do nome da Vila ocorreu com a expedição da Portaria Nº. 1.003, de 28 de março de 1876 (essa portaria não foi encontrada na Coleção de Leis e Resoluções promulgadas pela Assembléia Legislativa nos referidos anos).

Por outro lado, apurou-se a Portaria Nº. 1.049, de 13 de abril de 1877, que cria a Comarca de Gararu com a seguinte redação: “Art. 1º. Fica creada a comarca de Gararu que se comporá do termo da Ilha do Ouro e do município do Curral de Pedras, desmembrada da comarca de Própria”. A leitura dessa Resolução permite concluir que esta Comarca foi criada já com o nome do cacique Gararu, mas o Município ainda era denominado Curral de Pedras.

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